Ah meu Deus, faz tanto tempo que eu não escrevo nada... E nem é por falta de passeios, foi desleixo mesmo... Que vergonha x_x
Bom, o texto que vou postar agora não é novo... Mas eu o fiz especialmente pra cá e não quero desperdiçá-lo... É sobre o filme "Gravidade", que lançou já faz bastante tempo.
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| Não se entregue |
Foi um filme bastante comentado, rendeu ao diretor e roteirista Alfonso Cuarón o Oscar de Melhor Diretor, e um de Melhor Atriz à Sandra Bullock. Mas admito que, quando comecei a assistir o filme, não fiquei muito impressionada; pra mim (PRA MIM!!!) foi um filme bem razoável. É basicamente um monólogo de Sandra Bullock com algumas aparições de George Clooney.
Vou dizer, como ficção científica, o filme também não me conquistou muito... No sentido de não me acrescentou muito. Talvez como suspense (pra alguém que o-d-e-i-a assistir gente sem respirar -oi, um filme sobre alguém sozinho no espaço não é boa coisa).
A história é bem simples, na verdade. Numa missão espacial quase "rotineira" (se é que essa palavra pode ser usada nesse contexto), o pior acontece e a doutora Ryan Stone (Bullock) se desprende e acaba à deriva no espaço. A partir daí ela passa por uma série de eventos na tentativa de retornar viva para a Terra Eu falei que ela é a ÚNICA sobrevivente desse acidente? Pois é. E que ela só teve seis meses de treinamento básico pra missão lá fora? É... Shit happens. (meu novo life motto, BTW)
Apesar de todo o óbvio, eu me perguntei por que o filme se chama Gravidade. Bom, lá vai a minha teoria. SPOILERS ALERTS estarão presentes, mas se você quiser ver o filme antes de ler, tem meu apoio o/
O filme é uma grande jornada de superação do Luto, que a doutora passa pela filha de quatro anos, que morreu num acidente na escola (se me lembro bem). Parece bobagem? Calma, eu explico!
No começo, quando conhecemos também o personagem de Clooney, Matt ele fala sobre ter pessoas na Terra "olhando para cima e pensando em você". Pela história que ele conta, porém, percebemos que Matt não tem isso (a esposa fugiu com o amante e ainda por cima levou o carro!!). Apesar disso, ele é um cara muito pra cima, confiante, faz piada de tudo e não se deixa abalar quando a missão dá errado.
Já a doutora desiste. Mais de uma vez, enquanto eles estão tentando chegar a estação espacial que vai salvar a vida dos dois. Quando o ar acaba, quando o medo fica maior que o tão aclamado "instinto de sobrevivência".
Quando é perguntada se tem quem pense nela na Terra, Stone conta como perdeu a filha num acidente (a menina escorregou e bateu a cabeça). Não cita ninguém além da filha, que era quem a mantinha presa à Terra. Sua "gravidade". (Se soar forçado, você está livre a parar por aqui, porque provavelmente, só vai piorar...).
SPOILER ALERT!!!! Quando o personagem de Clooney morre, ela volta a pensar em desistir ou tentar voltar para buscá-lo (porque até então ele tem sido sua segurança de que tudo aquilo acabaria bem). Ela não é tão pra cima quanto ele e não sobreviveria sem outra pessoa. Pode soar brega, mas apesar de ser uma pessoa confiante, falta à doutora ela mesma. Faz sentido?
Quando finalmente alcança uma nave... Não há combustível. E adivinhem? Ela pensa em desistir de novo. Há um momento muito bonito nessas cenas em que ela consegue se comunicar com alguém na Terra. A pessoa, Aningaaq, não fala seu idioma e muito menos entende seu problema (tem um curta sobre esse momento nos bônus do DVD, se interessar), mas existe,o que já é um grande conforto para Stone. É realmente uma cena muito bonita.
Mas voltando... No momento em que ela decide que não aguenta mais, uma reviravolta inesperada: Matt reaparece, trazendo de volta seu bom humor e mais importante ainda, sua esperança. Ele não deixa que ela pare de lutar. A frase do filme é essa, a propósito: Não se entregue.
Para uma pessoa que está se rendendo aos poucos à Psicanálise como eu, a aparição dele foi um mecanismo de defesa conhecido como projeção. Stone projeta no colega seu desejo de sobreviver, porque admitir pra si mesma que foi a única de uma missão inteira que não morreu, e admitir que quer viver apesar de ter perdido a filha, é um sentimento que gera angústia à protagonista. Então ela projeta seu desejo de viver na personalidade do colega, trazendo-o de volta a vida apenas para não deixá-la se entregar.
Graças a "ajuda" de Matt, que na verdade, a própria doutora descobrindo seus caminhos, Stone consegue sim, voltar à Terra sã e salva. E a cena final é exatamente ela caindo no mar, nadando até a borda e... Se erguendo. Ficando em pé com a gravidade. Toda minha teoria nasceu dessa cena, pra falar a verdade. O ato de levantar e conseguir seguir em frente com as próprias pernas (ela cita antes de tudo que, por estar dirigindo no momento em que soube da morte da filha, desde então só dirige) é uma boa metáfora para a superação de um luto.
A frase promocional do filme (o "Não se entregue") também tem um caráter motivacional. No período de luto e na depressão, é uma frase bastante comum, não se deixar levar pela tristeza... Ultimamente eu tenho escrito várias mensagens de "amor aleatório" ("random love"), para pessoas no tumblr que estão sofrendo com, acreditem!, ódio por mensagens anônimas, com uma frase parecida: "Não deixe os haters vencerem". Não sei se ela chega a fazer algum efeito, mas é uma frase motivacional.
Enfim, quando eu re-assisti ao filme com essa ótica, eu me interessei um pouco mais. Espero que te coloque pelo menos para pensar :)