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| "Para ganhar uma guerra, você tem que começar uma" |
[Já avisando que esse post pode conter alguns *spoilers* do filme, ok? Mas vou tentar não estragar nada :) E provavelmente vou chorar muito enquanto escrevo...]
Ontem, depois de três meses de espera, eu finalmente assisti à produção original HBO "The Normal Heart". O filme conta a história da lutra contra a AIDS na década de 80, quando a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida atingiu principalmente a comunidade homossexual.
Exatamente como eu estava esperando, o filme é muito bonito (sei que é um termo vago, mas vou descrevê-lo melhor). Sinceramente, eu chorei só com o trailer que saiu há alguns meses e com as partes "picotadas" que podem ser achadas no YouTube. Então eu fui tentando estar emocionalmente preparada pra tamanha sensibilidade; falhei miseravelmente.
A história do romance entre o escritor Ned Weeks (Mark Ruffalo) e o jornalista Felix Turner (Matt Bomer) se desenvolve enquanto a comunidade gay de Nova York se une para combater o então chamado "Câncer Gay", quando a doença é completamente ignorada pelo resto da população simplesmente por ser considerada "coisa de gay".
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| Ned e Felix, a primeira vez que se encontram |
Como muitos sabem, a AIDS é uma doença impiedosa; que basicamente permite que um simples resfriado acabe com a pessoa imunodeficiente. Já é muito difícil de lidar, hoje em dia, quando existem drogas e coquetéis e tratamentos e, sejamos
meio sinceros, o preconceito é bem menor. O que o filme mostra é como foi aterrorizante ser acometido por uma doença quase desconhecida, cujo tratamento era experimental e que era (e infelizmente, ainda é!) motivo de exclusão para muitos. Absurdamente assustador!
A luta de Ned contra o preconceito aumenta 100% quando Felix é diagnosticado. A partir daí, começa uma incansável corrida contra o tempo para tentar salvar a vida do homem que ele ama, não importa o que ele tenha que fazer, e trazer atona uma bruta realidade: eles estão condenados à morte e ninguém dá a mínima. Simples assim.
O filme tem uma série de cenas lindas, muito bem colocadas e bem escritas. As poucas cenas de sexo são muito pertinentes ao tema e não tem nada de sensacionalista, exatamente como um filme
sério deve ser. Mas a maior parte nós vemos casais comuns tentando sobreviver (ok, chorei como um bebê na cena em que está tocando "
I'll Survive" numa festa porque... Sobreviver!)
»Tenho uma queda especial por jazz, então a cena da dança ao som de "The Man I Love" partiu meu coração em particular. Mas não tenho uma cena favorita...
Não vou contar o final porque, SÉRIO, esse filme merece ser visto! Assistido com o coração e a mente aberta!
As atuações são maravilhosas, mas eu sou obrigada a chamar a atenção pro casal principal:
Mark Ruffalo e Matt Bomer. Sou fã de Ruffalo há bastante tempo (comédias românticas, julguem) e o explosivo e impulsivo Ned foi o papel mais diferente em que eu já o vi. E, como acompanho o trabalho dele em "The Avengers", eu fiquei muito feliz em não ver nem um pingo de Hulk em sua atuação. Com certeza, Mark é minha aposta no
Emmy de Melhor Ator em Telefilme, hoje à noite.
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| Ruffalo como Ned |
Matt Bomer também se sobressai como Felix, na minha opinião. Mais famoso pelo papel protagonista "
White Collar", ele me surpreendeu como um homem apaixonado que sabe que está morrendo e mesmo assim tenta se manter positivo, e mostrou que seu charme vai muito mais além do que aqueles olhos azuis que Deus lhe deu. Seu Felix é doce e otimista, o tipo de pessoa que é fácil gostar. Sua fé é tocante; o momento em que ele pede a Deus mais um ano e promete comer todo o espinafre me fez chorar muito. Matt também é minha aposta como Melhor Ator Coadjuvante de hoje.
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| Bomer como Felix |
O longa também conta com
Julia Roberts, no papel da dra. Emma Brookner, que mesmo presa à cadeira de rodas, tenta ajudar a causa;
Taylor Kitsch, como Bruce Niles, o presidente da Comunidade Gay de NY, cujo namorado é vitima da AIDS e é totalmente negligenciado pelo sistema de saúde (o corpo é jogado numa lixeira! Essa é uma das cenas mais fortes do filme);
Jim Parsons (sim, o Sheldon de "
Big Bang Theory"), como Tommy Boatwright, deliciosamente desbocado e irônico;
Joe Mantello, cujo personagem Mickey tem um dos discursos mais bonitos do filme todo;
Alfred Molina, o irmão "hétero e perfeito" de Ned, vivendo sobre a tênue linha entre o amor pelo irmão e o preconceito, entre outros...
Não é a toa que "The Normal Heart" está concorrendo em várias categorias do Emmy de hoje e, honestamente, espero que ganhe. Essa é uma mensagem que vale a pena ser divulgada, uma história de amor que merece ser contada. Não o amor entre duas pessoas, mas um amor pela vida que é comum em todos nós.
LINKS:
- Trailer de "The Normal Heart" - http://www.imdb.com/video/imdb/vi2749541657?ref_=tt_pv_vi_aiv_1
(disponível no IMDB)