segunda-feira, 25 de agosto de 2014

24.08.2014 - The Normal Heart

"Para ganhar uma guerra, você tem que começar uma"
[Já avisando que esse post pode conter alguns *spoilers* do filme, ok? Mas vou tentar não estragar nada :) E provavelmente vou chorar muito enquanto escrevo...]

Ontem, depois de três meses de espera, eu finalmente assisti à produção original HBO "The Normal Heart". O filme conta a história da lutra contra a AIDS na década de 80, quando a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida atingiu principalmente a comunidade homossexual.

Exatamente como eu estava esperando, o filme é muito bonito (sei que é um termo vago, mas vou descrevê-lo melhor). Sinceramente, eu chorei só com o trailer que saiu há alguns meses e com as partes "picotadas" que podem ser achadas no YouTube. Então eu fui tentando estar emocionalmente preparada pra tamanha sensibilidade; falhei miseravelmente.

A história do romance entre o escritor Ned Weeks (Mark Ruffalo) e o jornalista Felix Turner (Matt Bomer) se desenvolve enquanto a comunidade gay de Nova York se une para combater o então chamado "Câncer Gay", quando a doença é completamente ignorada pelo resto da população simplesmente por ser considerada "coisa de gay".

Ned e Felix, a primeira vez que se encontram

Como muitos sabem, a AIDS é uma doença impiedosa; que basicamente permite que um simples resfriado acabe com a pessoa imunodeficiente. Já é muito difícil de lidar, hoje em dia, quando existem drogas e coquetéis e tratamentos e, sejamos meio sinceros, o preconceito é bem menor. O que o filme mostra é como foi aterrorizante ser acometido por uma doença quase desconhecida, cujo tratamento era experimental e que era (e infelizmente, ainda é!) motivo de exclusão para muitos. Absurdamente assustador!

A luta de Ned contra o preconceito aumenta 100% quando Felix é diagnosticado. A partir daí, começa uma incansável corrida contra o tempo para tentar salvar a vida do homem que ele ama, não importa o que ele tenha que fazer, e trazer  atona uma bruta realidade: eles estão condenados à morte e ninguém dá a mínima. Simples assim.

O filme tem uma série de cenas lindas, muito bem colocadas e bem escritas. As poucas cenas de sexo são muito pertinentes ao tema e não tem nada de sensacionalista, exatamente como um filme sério deve ser. Mas a maior parte nós vemos casais comuns tentando sobreviver (ok, chorei como um bebê na cena em que está tocando "I'll Survive" numa festa porque... Sobreviver!)



 »Tenho uma queda especial por jazz, então a cena da dança ao som de "The Man I Love" partiu meu coração em particular. Mas não tenho uma cena favorita...






Não vou contar o final porque, SÉRIO, esse filme merece ser visto! Assistido com o coração e a mente aberta!

As atuações são maravilhosas, mas eu sou obrigada a chamar a atenção pro casal principal: Mark Ruffalo e Matt Bomer. Sou fã de Ruffalo há bastante tempo (comédias românticas, julguem) e o explosivo e impulsivo Ned foi o papel mais diferente em que eu já o vi. E, como acompanho o trabalho dele em "The Avengers", eu fiquei muito feliz em não ver nem um pingo de Hulk em sua atuação. Com certeza, Mark é minha aposta no Emmy de Melhor Ator em Telefilme, hoje à noite.
Ruffalo como Ned


















Matt Bomer também se sobressai como Felix, na minha opinião. Mais famoso pelo papel protagonista "White Collar", ele me surpreendeu como um homem apaixonado que sabe que está morrendo e mesmo assim tenta se manter positivo, e mostrou que seu charme vai muito mais além do que aqueles olhos azuis que Deus lhe deu. Seu Felix é doce e otimista, o tipo de pessoa que é fácil gostar. Sua fé é tocante; o momento em que ele pede a Deus mais um ano e promete comer todo o espinafre me fez chorar muito. Matt também é minha aposta como Melhor Ator Coadjuvante de hoje.

Bomer como Felix














O longa também conta com Julia Roberts, no papel da dra. Emma Brookner, que mesmo presa à cadeira de rodas, tenta ajudar a causa; Taylor Kitsch, como Bruce Niles, o presidente da Comunidade Gay de NY, cujo namorado é vitima da AIDS e é totalmente negligenciado pelo sistema de saúde (o corpo é jogado numa lixeira! Essa é uma das cenas mais fortes do filme); Jim Parsons (sim, o Sheldon de "Big Bang Theory"), como Tommy Boatwright, deliciosamente desbocado e irônico; Joe Mantello, cujo personagem Mickey tem um dos discursos mais bonitos do filme todo; Alfred Molina, o irmão "hétero e perfeito" de Ned, vivendo sobre a tênue linha entre o amor pelo irmão e o preconceito, entre outros...

Não é a toa que "The Normal Heart" está concorrendo em várias categorias do Emmy de hoje e, honestamente, espero que ganhe. Essa é uma mensagem que vale a pena ser divulgada, uma história de amor que merece ser contada. Não o amor entre duas pessoas, mas um amor pela vida que é comum em todos nós.



LINKS: 

- Trailer de "The Normal Heart" -  http://www.imdb.com/video/imdb/vi2749541657?ref_=tt_pv_vi_aiv_1  
(disponível no IMDB)

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